Uso de Drogas no Brasil

7 de outubro de 2011

Dr. Rogério Tiossi – CRM 82160 – Cardiologista

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Os efeitos maléficos do uso de drogas para o coração

O Brasil é o maior consumidor de drogas na América do Sul e o consumo continua crescendo. Segundo relatório das Nações Unidas, o País tem 900 mil consumidores de cocaína.

Os produtos de cocaína entram no Brasil por rotas terrestres, pelos rios e em aviões que chegam da Bolívia, Peru e Colômbia em rota à África e Europa ou Estados Unidos. O Paraguai continua sendo o maior fornecedor de maconha para o Brasil, embora se cultive maconha no Nordeste brasileiro para consumo local.

Ao mesmo tempo, a Argentina continua sendo uma importante rota para o trânsito da cocaína produzida nos países andinos e é o segundo maior mercado sul-americano para a droga, embora não seja um país produtor significativo de narcóticos. Já o Chile não é um grande produtor de drogas ilegais, mas é um importante país de passagem para embarcar a cocaína andina com destino à Europa.

 

As altas taxas de mortalidade entre usuários de droga estão relacionadas a inúmeros fatores, tais como complicações devido ao uso da droga (por exemplo, Aids entre usuários de droga injetável), overdose, suicídio, acidentes e homicídio.
A dificuldade em atribuir causas de morte a uma reação de overdose especifica são grandes. Por exemplo, diferenciar overdose acidental de suicídio pode ser muito difícil.

 

Existe uma tendência crescente das pessoas usarem múltiplas substâncias juntas ou em épocas diferentes, o que aumenta ainda mais os riscos.

 

O consumo exagerado e intenso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, atingem todas as camadas sociais; o que diferencia é o tipo de droga que está sendo consumida. Nas classes mais baixas, dentre as drogas ilícitas, prevalecem a maconha e o crack, por serem mais baratas e mais fáceis de serem adquiridas. Já nas classes mais abastadas, o consumo da droga sintética Ecstasy tem superado o da cocaína e da heroína, cujos cultivos e respectivas produções registraram quedas significativas.

 

As drogas circulam livremente pelas ruas do nosso país e são encontradas desde os presídios até as escolas, sejam elas públicas e particulares. Nas festas e baladas, promovidas nos fins de semana por todos os cantos, o consumo desenfreado de drogas, que circulam entre menores e maiores de idade, pode ser facilmente medido pela quantidade de atendimentos nos hospitais, durante a madrugada.

 

MORTE SÚBITA EM JOVENS

 

É no sistema cardiovascular que os efeitos das drogas são mais intensos. A pressão arterial pode elevar-se e o coração pode bater muito mais rapidamente (taquicardia). Em casos extremos chega a produzir uma parada cardíaca por fibrilação ventricular. A morte também pode ocorrer devido a diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração. O uso crônico da cocaína pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.

 

O crack e a cocaína, a rigor, são a mesma coisa. Só que o crack é acrescido de bicarbonato de sódio e transformado em pedra, e tem cerca de seis vezes mais potência que a cocaína. Os efeitos, embora no uso da primeira droga sejam mais intensos, são bastante semelhantes e atuam diretamente no cérebro. O usuário tem a sensação de estar mais forte, mais ativo.

A isso, soma-se grande euforia. Há elevação dos batimentos cardíacos, o que força o coração a trabalhar mais. Uma das consequências é elevar os riscos de infarto. O usuário tem 24 vezes mais chance de ter um infarto do miocárdio na primeira hora depois do uso de cocaína se comparado à população em geral. Também há outras complicações cardíacas graves causadas por ação direta do uso das duas drogas: miocardite (inflamação do miocárdio, nome do músculo cardíaco), endocardite (inflamação do endocárdio, a pele interna do coração), edema agudo do pulmão (líquido nos pulmões) por perda de força de contração do miocárdio, tromboses nos vasos sanguíneos, por formação de coágulos, e dilatação do coração.

Mesmo usuários iniciantes podem ter sequelas. O uso do crack, pelo seu alto poder de absorção, apresenta mais chances de provocar derrame cerebral e de complicações cardíacas em qualquer idade. Tudo piora quando há, somado ao entorpecente, o consumo de energéticos. Por serem estimulantes, eles potencializam o efeito da cocaína e do crack, elevando as possibilidades de um infarto.

A maioria das mortes resultantes diretamente do efeito da cocaína é repentina e ocorrem poucas horas após a intoxicação. As mortes são, na maioria, resultadas de arritmias cardíacas. Convulsões generalizadas são frequentes antes da morte em pacientes com intoxicação aguda por cocaína. Insuficiência respiratória pode ocorrer com níveis muito altos de cocaína. A morte pode também ocorrer devido a hemorragia intracerebral ou ruptura da aorta, devido a hipertensão severa induzida por cocaína. Consequentemente, o tratamento de overdose por cocaína dependerá da severidade dos sintomas a da natureza da complicação mais imediata a ameaçadora à vida do paciente.

 

A longo prazo a maconha não apresenta efeitos tão maléficos, pois causa relaxamento em vez de excitação. Mas também afeta o coração e outros órgãos. As tragadas repetidas e somadas causam danos importantes, como micro infartos. Os anabolizantes também estão na lista de vilões do coração. Além de baixar os índices do bom colesterol, o HDL, aumenta o teor do colesterol ruim para o coração, o LDL. Pode ainda causar a hipertrofia do músculo cardíaco, o que pode levar o usuário a uma insuficiência cardíaca ou a um derrame.

 

O álcool é a substância psicoativa de maior uso no Brasil. Vários fatores influenciam esse uso, podendo-se destacar o fato dela ser uma droga lícita, socialmente aceita e muitas vezes ter seu uso incentivado pela sociedade (como por exemplo, os chamados “ritos de passagem” caracterizados pelo primeiro “porre” na adolescência). É uma droga de fácil acesso e de baixo preço e ainda apresenta deficiência na fiscalização (venda para menores de idade, por exemplo). Também pode causar efeitos drásticos ao coração, como aumento da pressão arterial e dilatação do mesmo, além de cirrose hepática e doenças cerebrovasculares.

 

 Na página da internet do Ministério da Justiça, através da Secretaria Nacional de Políticas sobre drogas (portal.mj.gov.br/senad), pode-se encontrar as principais clínicas, centros de tratamento, comunidades terapêuticas e outros serviços públicos e privados que se dedicam ao tratamento e a outras modalidades de assistência a pessoas com problemas decorrentes ao uso de drogas

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